Seguro de Carros Antigos
O paulistano Hilton Lerner, 47 anos, aprendeu desde cedo a valorizar um velhinho. Aos oito anos, ficou desiludido quando seu tio Hélio vendeu o Ford 51. Naquele momento, a vontade de ter uma raridade automotiva passou a correr nas veias do pequeno Hilton. Hoje, possui dez carros antigos. Entre eles, um Ford Country LPT, um Mustang 68 e, claro, um Ford 51. Em comum, os três trazem a placa na cor preta. Esta é a marca que indica que o veículo saiu de fábrica há pelo menos 30 anos e mantém um mínimo de 80% de originalidade. Além de serem devidamente polidos e bem cuidados, os velhinhos de Lerner têm cobertura de seguro, o que não é comum.
Os donos dos nove mil automóveis que exibem a placa preta pelas cidades brasileiras têm dificuldade para encontrar uma seguradora disposta a assumir os riscos dessas preciosidades. São carros difíceis de repor e caros para consertar. Como são poucos clientes potenciais, não atraem o interesse das companhias. Não adianta bater à porta das maiores do setor.
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| MÁQUINA NA MÃO: a Indiana Seguros, do diretor Jorge Martinez, é a única do mercado com o Seguro Placa Preta |
Porto Seguro, Bradesco Seguros, Itaú Seguros e SulAmérica não oferecem cobertura. Entre as líderes, apenas a Mapfre tem na garagem uma apólice para carros antigos, mas não aceita aqueles com mais de 30 anos. Mas os colecionadores não ficaram totalmente na mão: a Indiana Seguros ainda oferece a flanela e o Seguro Placa Preta, graças à paixão de seus ex-donos – os irmãos Cláudio e Guilherme Afif Domingos – pelas máquinas dos vovôs.
Os carros antigos têm uma apólice diferenciada. A começar pelo valor dos bens, difíceis de precisar. Roubo ou furto não são ressarcidos, ao contrário dos veículos novos que possuem uma tabela de preços. “Esses veículos têm o valor sentimental que não é mensurável”, diz Jorge Martinez, diretor operacional da Indiana Seguros. As colisões também são tratadas de forma diferente. O seguro só cobre os danos no outro veículo, enquanto os prejuízos com os amassados do próprio carro são assumidos pelo condutor. E se a batida for em um evento ou exposição em que estão outros carros antigos? O automóvel do terceiro será consertado, mesmo que seja de um parente ou amigo próximo. Esta é, aliás, uma especificidade que não é contemplada nos seguros para modelos novos. Acidentes em família não costumam ser pagos.
O custo final depende do segurado e dos seus hábitos. “Os carros ficam, na maior parte do tempo, na garagem”, diz Lerner. Dessa maneira, o perfil do colecionador tem um peso maior que o modelo do carro no preço do seguro. Quanto mais automóveis ele possuir, menor é o valor a ser pago no total. Para quem tem dez carros, a cobertura com assistência 24 horas está garantida por R$ 110 anuais para cada veículo. Aquele que só tem um placa preta na garagem paga R$ 280. “Esse seguro não é caro e a prestação de serviços é o diferencial”, diz Martinez. A procura maior é pela assistência, como socorrer o dono de um carro que teve a bateria descarregada. Apesar de a Indiana ter sido vendida em outubro do ano passado para a Liberty, não há indicações de que acabará com a proteção aos velhinhos.
Fonte: ISTOÉ
