Seguros ampliam participação no resultado
Assim como as atividades bancárias, o desempenho da seguradora do Bradesco também foi decrescente no último trimestre de 2008. O lucro líquido dos negócios de seguros, previdência privada e capitalização encolheu 5,50% em relação ao trimestre anterior, passando de R$ 582 milhões para R$ 550 milhões. O diretor financeiro do grupo Bradesco Seguros e Previdência, Samuel Monteiro dos Santos Júnior, explica que, diferente do banco, as empresas de seguros não foram afetadas pela crise financeira. “A diferença pode ser explicada pelo aumento que fizemos na provisão da verba de sinistros do segmento vida.” Segundo o executivo, o aumento da reserva no trimestre foi de R$ 99 milhões para cobertura de um período de 72 meses.
No acumulado do ano, entretanto, o lucro líquido das empresas da área de seguros do Bradesco subiu de R$ 2,355 bilhões em 2007 para R$ 2,648 bilhões em 2008 - crescimento de 12,44%. O valor corresponde a uma ampliação para 34,75% da participação da seguradora no ganho de todo o conglomerado, que fechou o ano passado em R$ 7,6 bilhões. O faturamento registrado no fechamento do exercício foi de R$ 23,149 bilhões, valorização de 7,78% ante os R$ 21,479 bilhões apontados no ano anterior. A divisão dos sinistros pelos prêmios ganhos, que resulta no índice de sinistralidade da seguradora, apontou desempenho de 74,3% em 2008, melhor que a marca do período anterior, de 74,9%.
Enquanto o dia-a-dia dos negócios de seguros ajudou a incrementar o desempenho do Bradesco, o resultado financeiro das operações não ficou imune aos efeitos da crise, recuando 14,53% em 2008, a R$ 2,548 bilhões. Monteiro disse que a companhia perdeu nas aplicações de suas reservas em ações. “Caiu em função da queda da bolsa, mas fomos trabalhar para reduzir custos e o resultado financeiro aumentou um pouquinho em relação ao terceiro trimestre [de R$ 547 milhões para R$ 569 milhões].” O diretor financeiro contou que a seguradora reduziu a exposição de seus investimentos à renda variável para a casa dos 3,5% devido às turbulência do mercado de capitais. “Já chegamos a ter R$ 5 bilhões em ações. A maior parte dos recursos provém da previdência privada. Nesse caso, a decisão sobre a aplicação é uma iniciativa do segurado, que está meio traumatizado com a bolsa, preferindo a renda fixa”, comenta Monteiro.
Após a fusão Itaú-Unibanco, seguros, previdência privada e capitalização compreendem o último rincão em que o banco da Cidade de Deus ainda é líder, com domínio de 24% de um mercado que movimentou R$ 71,2 bilhões de janeiro a novembro, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e da Agência Nacional de Saúde (ANS).
Outras áreas
A Bradesco Saúde, empresa que comercializa seguro-saúde corporativo e individual, registrou faturamento de R$ 5,259 bilhões em 2008. A receita de prêmios de seguros de automóveis e de ramos elementares da Bradesco Auto/RE ficou praticamente estável em relação a 2007: R$ 2,894 bilhões. Os planos de previdência privada VGBL e PGBL, administrados pela Bradesco Vida e Previdência, renderam R$ 10,9 bilhões no ano passado. As provisões da Bradesco Capitalização encerraram 2008 em R$ 2,7 bilhões.
Fonte: Gazeta Mercantil